quinta-feira, 23 de abril de 2009

A defesa gostaria de se pronunciar

Fica difícil de saber por onde começar. Acho que você ou está me entendendo mal, ou está tentando não me entender. Eu tentei deixar clara a minha filosofia, mas você continua apostando na ingenuidade da mesma. Minha filosofia não se baseia em não pensar tanto a ponto de ser como você é. Baseia-se em ser capaz de pensar além, e passar direto pela fase na qual ficou preso.

Já que não quer me provar errado, e eu não vejo como eu poderia estar mais certo, o máximo que posso fazer é defender-me do que me acusou. A palavra da vez foi "ignorante", não foi? Primeiro eu vou explicar o que você pensou. Você acha que, uma vez que acredito que a simplificação dos problemas e a opção pelo óbvio quando enfrentando um dilema é o caminho para evitar a depressão que assola vossa senhoria, estou optando por pensar o mínimo possível, tirando assim o mínimo possível de proveito da situação, e me conformando. Acha que eu disse que evitava pensar em questões sem resposta porque sou demasiado indolente para resolver as coisas pelo caminho mais longo.

Pronto, agora vou explicar onde você errou. Seu erro foi não saber o significado dos termos que usei, como "óbvio", "simplificar" e "sem resposta". A opção pelo óbvio não é a solução mais fácil, direta, e não é executada independentemente de pensamento prévio. O óbvio simplesmente é aquilo que está ali, claro, translúcido, esperando para ser feito. Feito por você, se for rápido o suficiente. Simplificar os problemas não é ignorar sua seriedade, é só não superestimá-los, como o faz tanto, colega. Deixar de criar novos problemas dos problemas já existentes e inerentes a qualquer homem é a atitude que me difere de você. Perguntas sem resposta são essas que tanto insiste em fazer, tentando por em xeque minha fé (entre outras facilmente reconhecíveis). Não vou discutir fé com você, espero ter deixado isso claro nas conversas fora de registro. Não perco mais meu tempo levando em consideração coisas sobre as quais já me resolvi. Aliás, já se resolveu também, não é? Não crê e ponto. Mas apostaria o que for que é um assunto sobre o qual insiste em pensar.

Bom, cheguei num ponto onde sou obrigado a te chamar de calunioso. Não defendo o óbvio como a Verdade. É o que escolho fazer, e funciona. Não é uma filosofia perfeita, ou aplicável a todas as situações, mas é uma filosofia funcional. Sabendo utilizá-la ela dá muito mais frutos que sua inércia, e com o mesmo grau de prestígio que suas "realizações meticulosamente planejadas". Esse modo de vida não me obriga a viver do mínimo, quem vive do mínimo é você. O extraordinário do qual falei foi simplesmente algo que realmente passava longe do óbvio. Uma vez definido isso como meta, fazer o óbvio me deixou numa situação no mínimo complicada. Agora sinto um pouco de satisfação, uma quantidade considerável de remorso, e bastante dúvida.

Complicações à parte, digo, honestamente, que não acho que o que faço é a postura que se espera de alguém que está, como me acusou de estar, "aproveitando o passeio". Acho que faço da vida justamente o contrário. A vida não é para se complicar, amigo, a vida é uma oportunidade. Priorizando os impecílhos, como faz, não se faz nada do viver. Já começou se defendendo, dizendo que fazer sentido não era seu forte, e que eu não deveria me preocupar em procurar a lógica do seu texto. Não há como eu fazer isso, que graça teria se fosse isso só palavras a esmo, se fosse só pelo prazer de discordar? No meio de tantas metáforas é justamente tentar achar um sentido o que possivelmente salva esse diálogo.

Já te ataquei em demasia no(s) último(s) texto(s), tiro esse pra me defender, e sei que ainda vai ter com o que me criticar, então só posso esperar pela resposta.

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